A Polícia Federal em São Paulo cumpriu na manhã desta terçafeira (21), na capital paulista,
mandado de busca e apreensão e de condução coercitiva (quando o indivíduo é levado para depor
obrigado) contra o blogueiro Eduardo Guimarães. Ele é editor do "Blog da Cidadania", defensor de
bandeiras da esquerda e crítico de políticos como o presidente Michel Temer (PMDB), da
Operação Lava Jato, que acaba de completar três anos, e do juiz federal Sérgio Moro.
Guimarães também concorreu à Câmara de Vereadores de São Paulo, na eleição de 2016, pelo
PCdoB na chapa do então candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT).
Segundo a assessoria da PF em São Paulo, o mandado foi expedido pela Justiça do Paraná a
pedido da PF paranaense, que pediu ao órgão em São Paulo o cumprimento da medida. Ainda
conforme a assessoria, Guimarães prestou depoimento a um delegado federal. Ele foi
acompanhado por um advogado. A liberação ocorreu por volta do meiodia.
Indagada sobre a razão da condução coercitiva, a PF em São Paulo não forneceu detalhes e
alegou que só a PF em Curitiba poderia fornecêlos.
Procurada, a assessoria da polícia
paranaense ainda não se manifestou sobre o assunto.
Em seu perfil no Twitter, Guimarães é crítico ferrenho do juiz federal Sérgio Moro e da Lava Jato.
Em sua página no Facebook, um texto publicado hoje de manhã informa que o blogueiro foi levado
pela manhã de seu apartamento na zona sul de São Paulo para depor.
"É lamentável viver em um país em que a liberdade de imprensa está sendo pisoteada. E em que
pessoas comprometidas com a informação e com a democracia sejam submetidas a todo tipo de
constrangimento, por via da lei. A Constituição Federal garante aos jornalistas liberdade de
expressão e proteção de suas fontes. Não podemos permitir mais esse arbítrio", diz o texto.
Os delírios de um psicopata investido de um poder discricionário
como Sergio Moro vão custar seu emprego, sua
vida
A PF queria que fonte de informação sobre Lula fosse revelada, diz
blogueiro
Ao coletivo Jornalistas Livres, ao deixar a PF, Guimarães disse que não havia sido intimado antes
de ser levado para depor coercitivamente. Na ação, relatou, os policiais federais levaram ainda
celular dele e da cônjuge, laptop e um pen drive.
"Não entendi, e meus advogados não entendem a razão da condução coercitiva porque não me
recusei a vir aqui depor", afirmou o blogueiro. Segundo ele, a PF queria informações sobre quem
repassara a ele, em maio do ano passado, a informação de que o expresidente Luiz Inácio Lula
da Silva seria levado a depor, também coercitivamente, pela PF em São Paulo, pela 24ª fase da
Operação Lava Jato.
"Na verdade eles já sabem quem me passou a informação uma fonte minha de que Lula seria
levado coercitivamente e teria seus sigilos quebrados", afirmou.
"Recebi de uma fonte as
informações, antes, e eles queriam saber se eu tenho alguma ligação com a pessoa que vazou,
mas não conheço essa pessoa. Disse que divulguei porque é meu trabalho jornalístico – meu
trabalho é divulgar", definiu.
Ao UOL, o advogado de Guimarães, Fernando Hideo, afirmou que a condução coercitiva hoje
revelou "duas arbitrariedades bem claras". "Pelo Código de Processo Penal, esse tipo de medida
demanda qualquer intimação prévia, e isso não houve; a segunda arbitrariedade diz respeito à
violação do sigilo de fonte, ao buscar essa informação com jornalista.
Isso [o direito de manter
sigilo sobre a fonte de informação] está na Constituição", declarou o advogado.
Nos mandados de busca e apreensão assinados por Moro, aos quais a reportagem teve avesso, o
magistrado não apenas autoriza a apreensão de aparelhos eletrônicos do blogueiro, como o "o
exame e a extração de cópias de mensagens eletrônicas armazenadas nos endereços eletrônicos
utilizados pelo investigado".
Além disso, o juiz permite aos policiais o acesso a "mensagens eletrônicas armazenadas em
eventuais computadores ou em dispositivos eletrônicos de qualquer natureza, inclusive
smartphones, que forem encontrados, com a impressão do que for encontrado e, se for
Moro inovou e proibiu fotografar e algemar Cunha petista vai
algemado e com muitas fotos. E Cunha já estava esperando
bem elegante.
É necessário, a apreensão de dispositivos de bancos de dados, disquetes, CDs, DVDs ou discos
rígidos".
No mandado de condução coercitiva, Moro estabelece que Guimarães não deveria ser levado
algemado, salvo se, na ocasião, oferecesse "risco concreto e imediato à autoridade policial".
Procurada, a assessoria de imprensa de Moro, na 13ª Vara Federal em Curitiba, não se
manifestou sobre as críticas ao magistrado.
Deputados do PT na Alesp e na Câmara reagem à ação da PF
Em nota, a bancada do PT na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) classificou a ação da
PF como "autoritária" e "censura". "A Bancada dos deputados estaduais na Assembleia Legislativa
se junta ao elo de protestos e indignação ao atentado à democracia e a liberdade de imprensa que
atingiu o blogueiro Eduardo Guimarães, editor do Blog da Cidadania, levado coercitivamente à
Superintendência da Polícia Federal de São Paulo, nesta terça feira, às 6h da manhã".
"Aos moldes dos tempos sombrios da ditadura militar, o blogueiro está incomunicável, sem acesso
a advogados e direito de defesa, sob a acusação de supostos vazamentos sobre a condução
coercitiva do ex presidente Lula, em março do ano passado", diz a nota.
Em entrevista coletiva em Brasília, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Carlos Zarattini,
afirmou que a decisão de Moro, sobre o blogueiro, foi "uma atitude arbitrária".
"Quando os grandes órgãos de notícia vazam notícias que geralmente são contra Lula e contra o
PT, não tem problema nenhum. Mas quando um blogueiro que tem informações, vaza essas
informações para que o público em geral tenha conhecimento da arbitrariedade das ações da
Polícia Federal, o que acontece? Ele é preso. Então, não existe respeito ao direito de imprensa. É
um verdadeiro absurdo o que aconteceu hoje", classificou.
* Colaborou Nathan Lopes
Portal do Helvecio













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